segunda-feira, 4 de abril de 2011

REPORTAGEM: Cazuza 53 anos; Poeta exagerado do Rock

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Poeta exagerado do rock
Cazuza, que viveu a vida em toda a sua intensidade e não temeu correr riscos, completaria, no 4 de abril, 53 anos.
Conheça mais sobre o ídolo:
“Nasci no Rio de Janeiro/ Fruto do amor verdadeiro/ De uma cristã e um cristão/ (...) Fui na infância um cordeiro/ Até descobrir no banheiro/ Que eu tava na contramão/ Daí saltei fora sem freio/ Me estrepo mas to sempre inteiro/ E sou bem feliz, meu irmão!”. Com estes versos, Cazuza descrevia sua vida que chegaria aos 53 anos, no dia 4 de abril de 2011. Da trajetória de 32 anos, dedicou 8 aos berros do seu rock’n roll, depois acalmados pela fase bossa nova e samba. “Conquistei a vida de um ano pra cá e quero passar isso pras pessoas. Isso é uma coisa meio cristã. Você repassa aquele amor que armazenou e as pessoas adoram”, dizia em 1990, ano em que morreu (no dia 7 de julho), vítima de AIDS..
Cazuza nasceu numa Sexta-feira Santa e foi batizado como Agenor de Miranda Araujo Neto, em homenagem ao avô paterno. Garoto da Zona Sul, vivia nas areias do posto 9 da Praia de Ipanema; à noite, na boemia do Baixo Leblon. Até encontrar Roberto Frejat, seu maior companheiro de composições, o cantor aventurou-se pela fotografia, teatro e na assessoria de imprensa da Som Livre, gravadora presidida pelo pai, João Araujo. A primeira vez que cantou em público, foi sob a tenda do Circo Voador, montado no Arpoador, em 1981. Na peça "A noviça rebelde", Cazuza cantava "Odara", de Caetano Veloso.
Boletim do Colégio Santo Inácio - SVC
Cazuza conheceu os meninos do Barão Vermelho através do cantor Leo Jaime, primeiro cogitado para assumir os vocais da banda. Na época, o grupo se resumia ao som de garagem da guitarra de Frejat, do baterista Guto Goffi, do tecladista Maurício Barros e do baixista Dé Palmeira. Taxada como “banda maldita” pela mídia especializada da época, o Barão não tinha suas músicas tocadas nas rádios, mesmo depois de lançar os dois primeiros LPs. “Nossas músicas tinham letras que se destacavam pelo teor poético e selvagem, embaladas com um som cru, que ignorava as tendências da época”, disse Maurício Barros, em entrevista por e-mail ao Jornal do Comércio. O primeiro empurrão foi de Caetano, que cantou, na casa de shows carioca Canecão, em junho de 1983, "Todo amor que houver nessa vida". Depois, Ney Matogrosso gravou aquela que seria uma das músicas mais famosas da dupla Cazuza/Frejat: "Pro dia nascer feliz".

Cazuza gravou quatro álbuns com o Barão Vermelho e cinco solos. Após sua morte, foi lançado "Por aí", de 1991. Em vida, colecionou amigos apaixonados por sua memória.Uma fã apaixonada foi a cantora Cássia Eller, que em 1997, gravou "Veneno antimonotomia", com 14 músicas do compositor. Bom lembrar que "Malandragem", grande
 sucesso da carreira de Cássia, foi composta por Cazuza e Frejat.
No cinema, Cazuza atuou em dois filmes: "Bete Balanço" (de Lael Rodrigues, em 1984, para o qual compôs a famosa faixa de mesmo nome) e "Um trem para as estrelas" (de Cacá Diegues, em 1987). Neste, assina a faixa-título da trilha. “Foi minha primeira parceria com o Gilberto Gil, que é uma coisa da qual eu me orgulho muito, porque o Gil é meu guru. Eu tremia na base na hora que eu fui levar a letra pra ele, super envergonhado, mas ele adorou e fez uma música linda”, disse na época. A música "Brasil" foi feita para a trilha sonora do filme "Rádio Brasil", também de Lael.

Quando descobriu a AIDS, Cazuz
a estava às vésperas de lançar seu segundo álbum solo, "Só se for a dois", em 1987. À medida que a doença se manifestava, afetando-o visivelmente, Cazuza acelerava na composição das suas músicas. “É a minha criatividade que me mantém vivo. Meu médico diz que eu sou um milagre, porque tenho tanta energia, tanta vontade de criar”, dizia. Cazuza deixou 220 canções. Hoje, a renda dos seus direitos autoriais é revertida para a Sociedade Viva Cazuza (SVC), fundada por Lucinha Araujo, que cuida de crianças portadoras do HIV, no Rio.
Um amor correspondido
Cazuza teve uma relação intensa e produtiva com os parceiros musicais, que guardam boas recordações. À Direita o Mural de fotos do quarto de Cazuza, ainda hoje preservado na SVC
Cazuza cantou de 82 a 85 no Barão Vermelho, lançando "Barão Vermelho", "Barão Vermelh2", o single de "Bete Balanço", "Maior abandonado" e "Barão Vermelho ao vivo" (registro do Rock in Rio 85, relançado no ano passado em CD e DVD). “O grupo ficou fragilizado com a saída de Cazuza, mas sabíamos que ainda tínhamos o que mostrar. O primeiro disco sem Cazuza foi 'Declare guerra', no qual, na música homônima, o refrão desabafava 'declare guerra a quem finge te amar/ chega de passar a mão na cabeça de quem te sacaneia'",
Solo, o cantor deixou "Exagerado" (ainda em 1985), "Só se for a dois" (1987), "Ideologia" (1988) e "Burguesia" (1989). Entre as 220 músicas que Cazuza assinou em seus oito anos de carreira, muitas parcerias se deram à base da amizade com outros músicos. “A gente vivia pelo Baixo Leblon, bebendo e escrevendo letras de futuras músicas. Pagávamos a conta dos bares tocando Dolores Duran até o fim da noite”, relembrou em entrevista o cantor Lobão.
A primeira parceria dos dois foi em "Mal nenhum" (dos versos “Eu não posso causar mal nenhum/ A não ser a mim mesmo”). “Era uma espécie de manifesto da nossa maneira de ser e de viver, de quanto nos achávamos deslocados naquele espaço, naquele tempo”. Na última música composta com Lobão, "Azul e amarelo", Cazuza se despediu. “Ele me veio visitar, já muito combalido, sem poder mais andar. Ele se deslocava no colo de Bené, uma querida criatura enorme que ia pra todos os lugares com ele. Chegou cheio de papéis de letras debaixo do braço, colocou o calhamaço na mesa, e começou a folheá-lo. Apanhou uma dessas letras e me disse: ‘Essa parceria você não entra porque eu fiz com o Cartola. Ele se chama Agenor (na verdade, Angenor) assim com também me chamo Agenor, então você tá fora! Só entra com uma coisa em comum, com algo extraordinário!’. Aí eu respondi: ‘Ok, mas se é pra ter algum vínculo dessa natureza com o Cartola, sem problema, porque eu faço aniversário no mesmo dia que ele. Serve?!’. Daí ele pensou e decidiu: ‘Ok, sendo assim, você pode entrar na parceria’. Na assinatura da canção, consta: Cazuza, Cartola e Lobão, já que o poeta usou o verso “Não quero, não vou, não quero”, de autoria do sambista.
. “Eu morro sem o Frejat. É a paixão da minha vida. Quero fazer parceira com ele até morrer”, disse,cazuza em 1987. Os dois são os responsáveis por grande parte das composições da época em que Cazuza estava no Barão Vermelho, além de outras da carreira solo do poeta. “Cazuza e Frejat eram como irmãos. Uma linda amizade, sem dúvida, uma das mais fundamentais para meu filho”, conta Lucinha.

Um ídolo de várias gerações

"Cazuza – O tempo não pára" foi uns dos maiores sucessos do ano de 2004 no cinema. O filme apresentou o poeta exagerado a um jovem público que o acolheu como novo ídolo. o filme popularizou Cazuza entre os jovens de uma geração que não o viu cantar, mas que se identificou com esse “falso” espírito transgressor. Um bom exemplo disso são as comunidades sobre o cantor no Orkut – são cerca de 1.000, com os mais variados temas – desde a “oficial”, que conta quase 400 mil membros, até as que levam nomes inusitados como “Cazuza, volta pra cá agora”, “Cazuza é meu psicólogo”, “Minha ideologia? Cazuza!” e “Deus, ressuscita Cazuza, por favor”.

Em 24 de janeiro de 1989, Cazuza fazia, aqui no Recife, a última apresentação da sua vida. No Centro de Convenções de Pernambuco, , o cantor travou uma batalha com a platéia. “Após duas músicas, iniciou um estranho monólogo em inglês, sendo recebido com apupos (vaias) pelo público. ‘Show é troca. Se vocês não me dão nada de volta, não terão nada também’, disse Cazuza, para receber uma estrondosa vaia”, “Em seguida, Cazuza passou a sussurrar algumas canções, deixando frustrados seus fãs, que ainda tentaram sufocar as vaias, ajudando ele a cantar”,

Essa história sob o ponto de vista de um fã, muda de versão.. O show foi emocionante. Em 
vários momentos, Cazuza parava de cantar para respirar, visivelmente cansado. Aí o pessoal aplaudia e tinha muita gente chorando também. Acho que nenhum dos fãs ali se sentiu agredido. Eu, pelo menos, adorei o show”, relembra o Bruno, que na época tinha 22 anos.

A HERANÇA QUE ELE NOS DEIXOU

E ele se foi... Mas nos deixou algo que mesmo a morte 
conseguira  apagar... Ele nos deixou as suas loucuras que foram, são e vão ser grandes conselheiras daqueles que se perdem nas armadilhas da vida . Aí estão algumas delas:

Frases de cazuza:

'O amor é o ridículo da vida. A gente procura nele uma pureza impossível, uma pureza que está sempre se pondo. A vida veio e me levou com ela. Sorte é se abandonar e aceitar essa vaga idéia de paraíso que nos persegue, bonita e breve, como borboletas que só vivem 24 horas. Morrer não dói."
"Você está vivo. Esse é o seu espetáculo. Só quem se mostra se encontra. Por mais que se perca no caminho."
"O nosso amor a gente inventa pra se distrair e quando acaba, a gente pensa que ele nunca existiu."

"Tenho amor incondicional pelas pessoas que entram em minha vida e sinceramente, não sei o quanto isso é bom nos dias atuais. Talvez esse seja meu pior defeito."
_____________________________

"Nós gostamos de ROCK e somos loucos
Eles fazem besteiras e são normais
Que vivam os loucos d boa cabeça
E pela metamorfose da vida s tornem
MALUCO BELEZA!!"
___________________

"Como é estranha a natureza
morta dos que não tem dor.
Como é estéril a certeza
de quem vive sem amo."
_____________________

"Nunca tive medo de me mostrar. Você pode ficar escondido em casa, protegido pelas paredes. Mas você tá vivo, e essa vida é pra se mostrar. Esse é o meu espetáculo. Só quem se mostra se encontra. Por mais que se perca no caminho."

______________________

"Olhe o mundo com a coragem do cego, entenda as palavras com a atenção do surdo, fale com a mão e com os olhos, como fazem os mudos!"
______________________

Só quem se mostra se encontra mesmo que se perca pelo caminho.

Agenor de Miranda Araujo Neto



Fontes:


@SigaRockBrasil
group1268689@groupsim.com
#AniversárioCazuza

11 comentários:

  1. Este comentário foi removido pelo autor.

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  2. Parabéns pela postagem adorei, acho q o filme do Cazuza foi mto importante para q muitos q não viveram na geração 80 soubessem da importância de Cazuza para o cenário nacional (embora eu acho o filme mto pobre), foi através da divulgação do filme q conheci sua obra e me apaixonei.
    Viva Cazuza ♥

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  3. Parabéns pela postagem *-*
    É isso ele se foi... Mas nos deixou algo que mesmo a morte conseguira apagar...
    Cazuza eternamente em nossas corações ♥
    Parabéns Cazuza :D

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  4. Gostei da postagem, muito legal mesmo parabéns!!!!

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  5. Muito Bom


    *Deus te damos Restart , Cine , Fresno

    E nos de d Volta , Mamonas Assasinas e Cazuza kkkkk


    Ta de parabens =) (H'

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  6. Cazuza....
    Um Guru...Um psicologo...Um heroi.....Um homem....ou todos....?
    Sem papas na lingua proferia as verdades.....
    Abriu os olhos dos "cegos" e ensinou muitos a caminhar para nascer....
    Mas para acontecer algumas coisas precisamos abrir mão de outras.....
    Vida longa ao bom e velho ROCK N' ROLL NACIONAL...

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  7. Parabéns, Layllinha! Deve ter dado mto trabalho em selecionar todo esse material, heim! Acredito que não é nenhuma novidade para os fanáticos por Cazuza, mas é ótimo para aqueles que o querem conhecer melhor.

    Mto boa postagem!

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  8. Parabens minha linda ta demais esse texto e toda a matéria vc ta de parabens continua assim que vc vai longe ... mil bjs pra vc te adoro !!!

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  9. Muito boa a postagem. Um grande criador de arte que vai ter sua obra eternizada pra sempre nas pessoas que gostam do bom rock n roll nacional. Parabéns.
    Ass: Aivan

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  10. Muito bom o posto Laylla! Amei de verdade! Cazuza faz parte do show, sempre fará parte, é eterno!

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  11. ahh!!pessoal obg pelos comentarios a opiniao de vcs e muito importante!!viva o rock nacional!!!!

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