quinta-feira, 7 de julho de 2011

REPORTAGEM: 21 Anos Sem Cazuza

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Promova estar comunidades em homenagem a Cazuza: O Amor na Prática É...   Qual a Cor doAmor? "Livro: O Tempo Não Pára"

Há exatamente 21 anos, 7 de julho de 1990, morriaCazuza, vítima de AIDS. Sua mãe, Lucinha Araújo, 74 anos, classificou essa data como “a maioridade do sofrimento”.  Desse sofrimento pela morte do filho, nasceu a esperança para muitas crianças. Ela comanda com mãos de ferro a sociedade Viva Cazuza, que abriga menores portadores do vírus HIV. Ao entrar na sua sala de trabalho, onde marcamos a entrevista exclusiva para o Contigo! Online, a imagem que aparece não é a de uma mulher amargurada e sim de uma pessoa que aprendeu a lidar com a própria dor. Falante, simpática, Lucinha acaba de encerrar uma trilogia de livros sobre o filho com a obra O Tempo não pára.





Focada diariamente na rotina da instituição, Lucinha relembra a perda do filho: “No dia do enterro, eu achei que iria morrer também. Não acreditava que poderia viver sem ele.’’  No mesmo ano da morte de Cazuza, Lucinha passou a lutar pela melhora da vida de soropositivos. Perdeu as contas de quantos eventos falou sobre prevenção e de quantas vezes ofereceu atendimento médico e doou cestas básicas para os portadores adultos, sempre mediante da comprovação do tratamento.Casada há 54 anos com produtor musical João Araújo, ela confessa que está cansada. Agora, pretende dar mais atenção ao marido. Nessa longa conversa, em uma tarde cinzenta do Bairro de Laranjeiras, onde nasceu, ela nos fala das dificuldades de manter a ONG e relembra algumas etapas sofridas do passado. Quando fala do filho, o amor salta de seus olhos e a tristeza dá lugar para as palavras de uma mulher forte, fazendo quem escuta acreditar que a energia de Cazuza ainda está por perto. “Não passo um dia sem pensar nele. Converso com ele todos os dias. Ele prometeu que nunca me abandonaria e sempre o sinto do meu lado”, emociona-se. Associação Viva Cazuza em crise financeira“A Associação Viva Cazuza está passando por muitas dificuldades. Antigamente o dinheiro dos direitos autorais do Cazuza supria 50% dos custos, hoje em dia não cobre nem 10 %. Eu comecei a fazer promoções e eventos. A gente vai vivendo assim. Há doações espontâneas, mas isso é uma coisa que eu não posso contar. Tenho três amigos que colaboram por mês e com isso pagamos o colégio das crianças, mas eu não posso contar com as pessoas que de vez em quanto fazem a doação. Eu tenho que contar com um caixa porque tenho 24 funcionários que recebem ordenado. Os filhos do crack “Há muito tempo eu não recebia bebês, mas isso está voltando a acontecer. Em certa época eu nem tinha mais berço aqui, só que infelizmente cresce o número de recém nascidos contaminados. Falam que é a droga, são os filhos do crack. Eu trabalho muito com a população de rua e pacientes de hospitais psiquiátricos. De modo geral não posso exigir dessas pessoas, “usem camisinha”. Coitados, eles não têm nem comida, nem o feijão com arroz ... como vou falar em camisinha? Não tem condição de fazer uma educação sexual. Eu fico pensando, gente qual é o prazer desse povo que mora do viaduto? É transar e se drogar. Esse é o momento que eles esquecem a vida deles, vida desgraçada. A gente vai ficando velha e aprende a não censurar, hoje eu não censuro mais ninguém, cada um cuida de sua vida. A AIDS saiu de moda e com isso as pessoas passaram a se prevenir menos. As pessoas esqueceram a AIDS, entrou na moda a Hepatite C, a gripe tal, a virose tal. Eu vejo isso com muito pesar. Acabamos de receber um bebê de um mês contaminado. O meu desejo é a cura da AIDS, mas eu acho que ainda está muito longe. Acredito que surgirão muito mais remédios que tornarão a vida do portador bem melhor. Acho que daqui a algum tempo vai ficar parecido com a diabetes. Não tem cura, mas pode se conviver com ela. Encerrando a trilogia com O Tempo não pára“Escrevi esse livro com o objetivo de passar a limpo a minha vida com o Cazuza. O Tempo não pára será o último livro que vou escrever sobre ele. Não é uma biografia, mas eu queria deixar toda a obra dele catalogada, reuni as letras das músicas e algumas músicas inéditas. Eu senti necessidade de contar também a minha história de vida durante esse tempo todo sem meu filho e também o que aconteceu depois disso. 21 anos sem Cazuza“O sofrimento está completando a maioridade. Já se vão 21 anos que Cazuza se foi. Só quem perdeu um filho me entende. A dor não termina e na verdade eu nem quero que termine. Há uns 15 anos eu vi uma declaração da mãe de uma pessoa famosa falando que no primeiro ano foi horrível, mas que no momento já estava tudo bem. Eu pensei: ‘’essa mulher é louca” ou eu é que sou louca. Não é possível, a gente não esquece nunca mais. Todo dia eu acordo e rezo para ele, peço para ele estar em bom lugar, para ele sempre me acompanhar, até quando estou sem cozinheira, eu peço para ele me dar ajuda e indicar lá por cima uma pessoa boa (risos). Eu uso e abuso dele por que sei que ele está sempre do meu lado. Ele me prometeu que aconteça o que acontecer, ele estaria sempre perto de mim e eu sei que ele está. Não há um dia que eu não pense nele, às vezes com mais alegria e outras com tristeza. Há dias que choro e choro, mas depois também penso que tenho que ir a luta. Sonhos com CazuzaCazuza nunca apareceu para mim. Assim como um fantasma, se é que existe fantasma, mas eu adoraria que ele aparecesse. Falo sempre, “meu filho, se existe alma do outro mundo, aparece para mim para sua mãe”, mas ele, por enquanto, não quis aparecer para mim. Eu nunca fui a nenhum lugar para ver isso. Gostaria de ir onde ninguém me conhecesse. Se olham e perguntam se eu sou a mãe do Cazuza, basta para não acreditar em nenhuma mensagem dali. Em sonhos, ele aparece muito para mim.  No livro mesmo eu conto a última vez que sonhei com ele. Eu não sabia se era um sonho ou uma aparição. Eu e o João (meu marido) dormimos no mesmo quarto que o Cazuza faleceu.  Eu acordei e vi no mesmo ambiente, ele todo de branco, barba branca, cabelo branco e eu pensei “nossa parece que é o Cazuza, mas não vou chamar o João se não ele vai sumir. Era como ele tivesse envelhecido, não sei se eu estava impressionada com aquele filme Nosso Lar, mas enfim. Eu reparei que havia uma senhora de branco também, ao lado dele com a cabeça encostada nele. Eu a reconheci como sendo a minha mãe. O Cazuza pelos amigos“Foi verdade que eu senti um pouco de receio quando convidei os amigos de Cazuza para participar do livro. Não sei, na minha cabeça, fiquei com medo que eles falassem mal, mas imagina se alguém iria falar mal do Cazuza para mim, eu brigava logo e cortava do livro (risos). Eu queria realmente ter a visão de outras pessoas que conviveram com ele. Não poderia ser sempre a mãe falando. Como o meu marido não ia escrever nada mesmo, eu então decidi fazer. Só que hoje em dia, sou louca para que algum amigo dele escreva um livro sobre ele e faça isso enquanto eu estiver viva. Seria um olhar diferente. Ele era mais diferente com os amigos, imagino, por eu não entrava nas intimidades deles.” O corpo sente“Quando eu vejo as minhas sobrinhas falando de menopausa, digo para elas ocuparem a mente com alguma coisa. Eu não senti a menopausa, por que a dor de antes tinha sido tão grande, que nem reparei. Uma semana depois da morte de Cazuza, senti uma dor na nuca e descobri que estava hipertensa. Nesses 21 anos, eu já tive câncer de mama, coloquei marca passo, tenho 9 estendes no coração. Realmente foi uma coisa atrás da outra. Acho que a coisa psíquica sempre acompanha a física. No dia do enterro do meu filho, eu sinceramente pensei que fosse morrer. Achava que não conseguiria viver sem ele. Meu marido tinha a mania de falar para o Cazuza :” Você não vai morrer, por que eu não vou deixar”. Às vezes, ele ligava para o pai e pedia” vem aqui falar aquele negócio”. Meu marido largava o trabalho só para falar isso:” Não vou deixar você morrer”. Uma amiga minha chegou para mim e falou” você não vai morrer e sim escrever um livro”. E assim foi, depois me chamaram para trabalhar em um hospital e dalí segui o meu caminho. Morrer não iria adiantar nada. Não traria meu filho de volta”.Homofobia“Eu acho que enquanto tiver gente que não tem caráter, vão existir pessoas preconceituosas. Acho que todo mundo tem algum tipo de preconceito, seja de cor, de idéias, ou de qualquer coisa. Se olharmos bem no fundo de nós mesmos vamos achar um preconceito. Há vários anos, tive um caso de discriminação aqui na associação. Agora graças a Deus, não sinto isso. As crianças falam no colégio que moram aqui e os coleguinhas vêm sem problema algum. Alguns até dormem aqui, fazem trabalhos de classe. Na época do Cazuza, ainda não se falava em homofobia, mas se ele estivesse vivo agora, com certeza colocaria a boca no mundo, iria ser um escândalo (risos). Ele queria ver todos felizes, não importa se solteiro ou não.’’ Amores de Cazuza“Até hoje, eu tenho contato com o Serginho, que foi o grande amor da vida do Cazuza. Ele me liga muito, adoro ele. Se o Cazuza estivesse aqui, eu pediria para ele casar com o Serginho, mas sei que ele casaria só por que eu iria pedir (risos). Aquela coisa de mãe e filho, né? O Ney Matogrosso também namorou ele, mas foi pouco tempo, e o que restou entre ele foi uma grande amizade. Eu nunca deixaria de falar no Ney, como pensaram que eu tinha feito na época do filme. Nem teria sentido isso. Se eu coloquei o Ney no livro, por que eu pediria para cortar do filme? Isso foi uma decisão da direção, não fui eu que dirigi o filme. Gosto muito dele e freqüentamos a casa um do outro até hoje.’’




Fonte: http://www.noticiasrss.com.br/Post/Default.aspx?id=102269
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