domingo, 25 de setembro de 2011

HOMENAGEM: #15AnosSemRenatoRusso; Analisando a Letra de "Que País é Este?"

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#15AnosSemRenatoRusso.




A música "Que País é Este?" deu nome ao terceiro disco da banda Legião Urbana em 1987, reunindo canções de 1978 a 1987. Apesar de bastante conhecida, o significado da letra não chega a ser tão conhecido quanto a música. 

"QPÉE?" foi composta sobre a base de "I Don't Care" dos Ramones. Segundo Renato Russo mesmo disse "Não há um MI fora do lugar". As Letras são bem diferentes: enquanto "I Don't Care" repete "I Don't Care" o tempo todo e mais nada, "Que País É Este?" faz reflexões sociais, do indivíduo à política.





Legião Urbana e Ramones são bandas que prezam pela sonoridade simples, fazendo músicas com três ou quatro acordes. Porém, as letras não são feitas com três ou quatro neurônios e nem devem ser interpretadas com três ou quatro neurônios; é preciso um pouco mais de atenção para assimilar o conteúdo complexo passado pelo texto da música. 


Espero que a análise aqui apresentada contribua para uma interpretação mais de acordo com o que a banda quis passar como mensagem.




Nas favelas, no Senado
Sujeira pra todo lado
Ninguém respeita a Constituição
Mas todos acreditam no futuro da nação

-Na primeira estrofe, Renato Russo fala que dos cidadãos mais humildes aos mais poderosos há falta de respeito para com as leis principais do País e da hipocrisia em se esperar que, mesmo com tal desrespeito o futuro seja melhor que o presente. A Constituição Federal é mãe das demais leis de uma democracia; é ela que regula os limites para as demais leis. Claro que, em qualquer País, há desrespeito às leis, inclusive à Contituição, contudo a crítica do compositor está no desrespeito escancarado e generalizado e não em exigir que vivamos a utopia de um Estado imune a problemas legais.

Que país é esse?
Que país é esse?
Que país é esse?
Que país é esse?

-O refrão faz uma questão retórica, isto é, questiona sem necessariamente se esperar uma resposta; uma questão feita com o intuito de provocar uma reflexão. Assim, é como se fosse questionado: "Que tipo de País é este?", "O que é este Brasil em que vivemos?", "Como chegamos a este ponto crítico?". E, obviamente, não está sendo perguntado qual País é este, pois sabe-se que é o Brasil, e, ainda, na próxima estrofe, estão elencadas algumas localidades brasileiras. Então para aqueles que gostam de gritar "É a p*rra do Brasil!", nos shows do Capital Inicial, primeiro, a resposta é desnecessária, e, segundo, é pejorativa,  opondo-se à idéia de Renato que não é fazer uma crítica aleatória ao País, e sim, de provocar reflexões que nos levem a identificar onde falhamos como cidadãos para poder de fato acreditar no futuro da Nação, sejamos nós favelados ou senadores.

No Amazonas, no Araguaia iá, iá,
Na baixada fluminense
Mato grosso, Minas Gerais e no
Nordeste tudo em paz
Na morte o meu descanso, mas o
Sangue anda solto
Manchando os papeis e documentos fieis
Ao descanso do patrão

-Na segunda estrofe, as localidades são citadas para dizer que seja qual for a região, estado, ou bairro, o problema é presente em todo o Brasil e, enquanto isso, cada brasileiro está preocupado com sua sobrevivência, sua subsistência, o seu emprego que o escraviza veladamente durante toda a vida. Enquanto dão o sangue num trabalho onde a vantagem é sempre maior para o patrão e que isso quase nunca será questionado pela maioria que precisa de um emprego para sustentar a si e à sua família, os brasileiros não têm tempo de se preocupar com as questões políticas e vivem sem questionar em que tipo de país vivem. 


Que país é esse?
Que país é esse?
Que país é esse?
Que país é esse?


Terceiro mundo, se for
Piada no exterior
Mas o Brasil vai fica rico
Vamos faturar um milhão
Quando vendermos todas as almas
Dos nossos indios num leilão

-Na terceira e última estrofe, há um desdém no qual, considerando o contexto, Renato diz que talvez nem de terceiro mundo sejamos dessa forma como estamos, e que essa situação repercute no exterior negativamente, o que acarreta na venda do País e até de seus recursos naturais, dos quais o mais absurdo seria vender as almas dos povos nativos, onde "venderrmos as almas" faz uma alusão à expressão "vender a alma ao diabo", que é popularmente um acordo desvantajoso com alguém mais poderoso, e, "almas" em sentido literal seriam as vidas de mais e mais índios como tem sido feito desde o descobrimento do Brasil, ou seriam as próprias culturas indígenas desimadas, ou, ainda, em sentido literário as "almas" podem ser interpretadas como sendo o habitat dos índios, a floresta, a natureza.



Que país é esse?
Que país é esse?
Que país é esse?
Que país é esse?

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